Delator detalha 'romaria' de deputados ao escritório de Youssef
05/01/2016
veja.abril

Apontado pelo Ministério Público como responsável por distribuir propina a políticos envolvidos na Operação Lava Jato, o delator Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como Ceará, detalhou a verdadeira romaria de parlamentares ao escritório do doleiro Alberto Youssef, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, e disse que todos os congressistas tinham plena consciência de que recebiam dinheiro de propina. A intenção de embolsar dinheiro sujo reforça a tese da acusação de que parlamentares praticaram os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro ao receber valores conhecidamente criminosos e os camuflar em atos lícitos, como na declaração de doações de campanha. Entre os destinatários frequentes de propina, Ceará citou às autoridades o ex-ministro das Cidades Mario Negromonte (PP-BA) como "o mais achacador" e o atual deputado federal Nelson Meurer (PP-PR) como o responsável pela "mesada gorda" a ser repassada ao Partido Progressista (PP).

"Os políticos que compareciam aos escritórios de Alberto Youssef iam lá pegar dinheiro. Ninguém ia ao escritório de Alberto Youssef para rezar", disse o delator em depoimentos de colaboração à Justiça.

Na versão apresentada pelo carregador de malas, o deputado Nelson Meurer, por exemplo, utilizava o filho para receber propina em seu nome. Antes das eleições de 2010, disse ele, o filho do parlamentar recebeu 300.000 reais em um quarto do Hotel Curitiba Palace, na capital paranaense. Em outra oportunidade, novo repasse de até 300.000 reais. Para evitar chamar atenção, a propina era escondida nas pernas de Ceará. "No quarto, o declarante retirava o dinheiro das pernas, nas quais os valores eram transportados, e entregava para o filho de Nelson Meurer", diz trecho da delação premiada do carregador de malas do Alberto Youssef.

A exemplo do que já havia confessado o próprio doleiro, Carlos Alexandre detalhou o pagamento de propina do escândalo do petrolão em apartamentos funcionais de congressistas, em Brasília. Em um dos casos, os então deputados João Pizzolatti (PP-SC), Mário Negromonte (PP-BA) e Pedro Correa (ex-PP-PE) já estavam a postos para embolsar o dinheiro. Em outra oportunidade, Meurer, destinatário assíduo de propina, segundo o delator, conheceu enfim o transportador de dinheiro. "Ah, então o senhor é o famoso Ceará!", disse o deputado, conforme relatou o delator às autoridades da Lava Jato.

No esquema que o próprio Alberto Youssef batizou de "mensalão do PP", a partilha de propina era definida conforme a representatividade de cada parlamentar dentro da agremiação. Deputados mais inexpressivos, por exemplo, recebiam 30.000 reais por mês do líder do partido. Caciques na época, como João Pizzolatti, Mário Negromonte e Pedro Correa, eram destinatários de verdadeiras boladas. Conforme relato do delator Ceará, Pizzolatti recebeu 5,5 milhões de reais em propina para a campanha de 2010. Negromonte, 5,5 milhões de reais, e Correa embolsou 7,5 milhões de reais, a serem partilhados pelas campanhas da filha, Aline Correa, e do genro, Roberto Teixeira. Todos negam irregularidades.

Apontado pelo Ministério Público como responsável por distribuir propina a políticos envolvidos na Operação Lava Jato, o delator Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como Ceará, detalhou a verdadeira romaria de parlamentares ao escritório do doleiro Alberto Youssef, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, e disse que todos os congressistas tinham plena consciência de que recebiam dinheiro de propina. A intenção de embolsar dinheiro sujo reforça a tese da acusação de que parlamentares praticaram os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro ao receber valores conhecidamente criminosos e os camuflar em atos lícitos, como na declaração de doações de campanha. Entre os destinatários frequentes de propina, Ceará citou às autoridades o ex-ministro das Cidades Mario Negromonte (PP-BA) como "o mais achacador" e o atual deputado federal Nelson Meurer (PP-PR) como o responsável pela "mesada gorda" a ser repassada ao Partido Progressista (PP).

"Os políticos que compareciam aos escritórios de Alberto Youssef iam lá pegar dinheiro. Ninguém ia ao escritório de Alberto Youssef para rezar", disse o delator em depoimentos de colaboração à Justiça.

Na versão apresentada pelo carregador de malas, o deputado Nelson Meurer, por exemplo, utilizava o filho para receber propina em seu nome. Antes das eleições de 2010, disse ele, o filho do parlamentar recebeu 300.000 reais em um quarto do Hotel Curitiba Palace, na capital paranaense. Em outra oportunidade, novo repasse de até 300.000 reais. Para evitar chamar atenção, a propina era escondida nas pernas de Ceará. "No quarto, o declarante retirava o dinheiro das pernas, nas quais os valores eram transportados, e entregava para o filho de Nelson Meurer", diz trecho da delação premiada do carregador de malas do Alberto Youssef.

A exemplo do que já havia confessado o próprio doleiro, Carlos Alexandre detalhou o pagamento de propina do escândalo do petrolão em apartamentos funcionais de congressistas, em Brasília. Em um dos casos, os então deputados João Pizzolatti (PP-SC), Mário Negromonte (PP-BA) e Pedro Correa (ex-PP-PE) já estavam a postos para embolsar o dinheiro. Em outra oportunidade, Meurer, destinatário assíduo de propina, segundo o delator, conheceu enfim o transportador de dinheiro. "Ah, então o senhor é o famoso Ceará!", disse o deputado, conforme relatou o delator às autoridades da Lava Jato.

No esquema que o próprio Alberto Youssef batizou de "mensalão do PP", a partilha de propina era definida conforme a representatividade de cada parlamentar dentro da agremiação. Deputados mais inexpressivos, por exemplo, recebiam 30.000 reais por mês do líder do partido. Caciques na época, como João Pizzolatti, Mário Negromonte e Pedro Correa, eram destinatários de verdadeiras boladas. Conforme relato do delator Ceará, Pizzolatti recebeu 5,5 milhões de reais em propina para a campanha de 2010. Negromonte, 5,5 milhões de reais, e Correa embolsou 7,5 milhões de reais, a serem partilhados pelas campanhas da filha, Aline Correa, e do genro, Roberto Teixeira. Todos negam irregularidades.